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RUNDA – Uma nova perspectiva nos Bálcãs para as gravadoras independentes

Zagreb, 24 de Janeiro de 2019

Hoje acontece o lançamento official da RUNDA – nome completo da Regionalna Udruga Nezavisnih Diskografa – a associação regional das gravadoras independentes dos Bálcãs, cujo trabalho cobrirá Eslovenia, Croácia, Bosnia-Herzegovina, Sérvia, Kosovo, Montenegro e Macedonia e Albania.   

Sediada em  Zagreb, a associação transnacional  – primeira estrutura desse perfil na Europa – se estabeleceu liderando o mercado local de gravadoras independentes, incluindo  Menart (Croatia), Moonlee Records (Slovenia), Kontra (Serbia), Dancing Bear Records (Croatia), IDJ (Serbia), NIKA (Slovenia), Ammonite Records (Serbia) e Dallas Records (Croatia), e pretende desenvolver a associação regional em alta velocidade nos próximos meses.

RUNDA é uma associação não partidária, sem fins lucrativos e não governamental, que promove os interesses das gravadoras independentes nos Bálcãs, buscando um nivelamento numa região em que o mercado da música é muito fragmentado, encorajando a colaboração entre os participantes locais  e desenvolvendo soluções para vários problemas que afetam o setor da música em níveis regional e nacional.

RUNDA é um novo associado formalizado tanto pela IMPALA (Associação Europeia das Gravadoras Independentes) quanto pela WIN (Rede Mundial Independente), sendo o membro mais recente da comunidade global independente. A Win, através do seu diretor de assuntos legais e de negócios, Charlie Philips, esteve envolvida no estabelecimento da Runda desde o início e se manterá envolvida dando suporte a este novo empreendimento, através de uma estreita colaboração com os membros do conselho da RUNDA, do qual também fazem parte Kees van Weijen (STOMP, NL), Csaba Nasz (HAIL, HU), Jonas Sjöström (Playground Music Scandinavia) e Didier Gosset (IMPALA).

RUNDA no MENT

RUNDA certamente estará presente no MENT, o principal festival regional para exposição e conferências de música , que acontece em Ljubljana no final deste mês.

Para marcar a ocasião, o MENT será o primeiro evento nos Bálcãs a sediar apresentações dedicadas ao Spotify, plataforma líder em streaming. Dois workshops especialmente destinados a gravadoras e artistas/produtores serão desenvolvidos pela RUNDA. Conduzidos pelo representante do Spotify Jeff Stempeck, ambos acontecerão na tarde da 6a feira , 1o de Fevereiro e requerem inscrição.

A RUNDA também fará uma apresentação sobre seus planos e estratégia para buscar soluções e respostas aos vários desafios de edição e gravação de música na região, incluindo a questão do streaming. Esta será uma ótima oportunidade para falar sobre seus propósitos, as razões pelas quais sua existência é necessária  e também sobre como as montanhas no montanhoso cenário musical dos Bálcãs deverão se mover no futuro próximo. Esta apresentação acontecerá no MENT dia 1o de Fevereiro, 13h.

NOTAS

No lançamento da RUNDA, o presidente da associação, Dario Drastata

(Dallas Records, Croiaác), comentou: “A RUNDA está dando o primeiro passo de uma longa jornada para as gravadoras independentes dos Bálcãs. Sabemos que haverá inúmeros desafios pelo caminho mas, como diz o ditado, queremos acreditar que a sorte acompanha os corajosos.  

O vice-presidente da RUNDA, Nikola Jovanovic (Kontra, Sérvia) acrescentou: “Estamos convencidos que a RUNDA é um passo na direção certa para encarar os inúmeros desafios enfrentados pelas gravadoras independentes regionais. Há uma qualidade incrível no setor musical da região, é necessário garantir que seja adequadamente empoderado e que esteja apto a prosperar.

Kees van Weijen, president da Associação Europeia da Música Independente – IMPALA, concluiu: “A RUNDA está formada por associados de muitos anos da IMPALA, e selos independents com uma trajetória comprovada no negócio da música.  Desejamos a todos o melhor e temos total confiança que a Runda está no rumo certo para alcançar grandes conquistas em nome da comunidade indepentende.

RUNDA websitehttp://www.runda.online
Press queriesinfo@runda.online
Nikola Jovanovic – nikola@runda.rs
Didier Gosset – dgosset@impalamusic.org

Plano da Spotify para vencer a Apple: conquistar assinantes no resto do mundo.

Daniel Ek

Investidores esperam que o serviço de streaming reproduza o sucesso da América Latina em outros mercados mais difíceis.

Há três anos, Danny Ocean, um venezuelano alegre de cabelo despenteado e uma voz sedosa e aveludada, se mudou para Miami para começar uma vida nova. Ele descolou um emprego numa pizzaria, mas sentiu muita falta da namorada que havia deixado pra trás. Como um presente de dia dos namorados, ele escreveu uma música em seu quarto para ela, cantando melancolicamente sobre uma levada de sintetizadores. Ele fez upload da música que entitulou de “Me Rehúso” no Youtube e no Spotify. A música começou a puxar para cima os gráficos de viralização na Colombia, Chile e Peru, o que chamou atenção da curadoria da Spotify – os funcionários que monitoram minuto a minuto os dados de audição. Eles unanimemente decidiram adicionar a canção a suas playlists, como “Verano Forever”, onde usuários do Spotify começaram a circulá-lá também. Semana a semana, Spotify foi incluindo a música em novas playlists, cada uma com mais seguidores, até que dois meses depois a música já tinha conquistado o “santo graal” – “Viva Latino!” – que foi o golpe final para sua catapulta ao estrelato. Em menos de um ano e com apenas uma canção lançada,  Ocean estabeleceu uma guerra de negociação com as maiores gravadoras do mundo, antes mesmo de assinar um excelente contrato de gravação com a Warner Music. O skatista magricela de 26 anos rapidamente se tornou o novo rei do reggaeton, o gênero popular que combina música latina com hip-hop.

Contos de fada como este tem circulado na internet por um bom tempo. Justin Bieber foi descoberto no Youtube há uma década. Mas num negócio atualmente dominado somente pelo streaming, a América Latina vive um momento especial. Em 2017, a receita da música cresceu na região mais  do que em qualquer outro lugar, com uma população jovem e esperta consumindo streaming aos bilhões, levando a Rolling Stone a declarar que foi o ano da decolagem do pop latino americano. Além dos “Danny Oceans” do mundo, poucos poderiam estar mais felizes quanto à sinergia entre streaming de música e a América Latina do que o Spotify, cujo preço das ações e, potencialmente o futuro, dependem de repetir o mesmo truque em novos mercados.

Spotify precisa continuar adicionando assinantes para deixar Wall Street feliz enquanto batalha contra a Apple, uma das companhias mais ricas do mundo, na disputa de como o mundo ouve música. Há um montante finito de vinte e poucos afluentes nas cidades do oeste que pagariam US 10$ por seus serviços. Entretanto, após crescer feito mola na Europa e nos US, investidores estão apostando que Spotify pode obter centenas de milhões de assinantes em regiões que a companhia sueca grosseiramente chama de “resto do mundo”.  Até o momento, a América Latina é o único mercado emergente onde o modelo do Spotify funcionou de forma expressiva – um fenômeno que surpreendeu os executivos de mais alto nível há seis anos atrás, quando entrou no México.  Spotify se tornou o principal serviço pago de streaming na América Latina com mínimo esforço. Até hoje menos de uma dúzia de funcionários trabalhando num escritório em Miami tocam a operação de todo continente. “Ninguém nunca esperou que fosse assim, e nem tínhamos os recursos para isso. O Chile é agora o mercado que mais cresce, e nunca sequer enviamos um funcionário até lá”, disse Will Page, Diretor de Economia da Spotify, que espera que o Brasil e o México superem UK e Alemanha em assinaturas. Entusiasmado com os resultados da América Latina, o fundador Daniel Ek está convencido que pode replicar o modelo ao redor do mundo. Ao palestrar para investidores sobre Spotify antes de tornar-se pública em Abril, Ek destacou os bilhões de smartphones ao redor do mundo que ainda não usam seu app de música. “Estamos trabalhando para lançar o serviço em alguns dos maiores mercados do mundo, lugares como Índia, Rússia e África”, ele disse. Spotify já fez avanços: em Novembro debutou no Oriente Médio, enquanto no ano passado entrou na África do Sul, Israel, Vietnam e Romênia. Navegando pelo app do Spotify, usuários agora veem gêneros como “Arab” e “Afro”, próximo a “Party” e “Sleep”.

Wall Street comprou a idéia, com um debut bem sucedido no mercado de ações e previsões otimistas para o futuro. Ao redor do mundo, excluindo a China, estimados 6% das pessoas com smartphones com dispositivos de pagamento pagam pelo Spotify, e Morgan Stanley prevê que este percentual dobre nos próximos cinco anos para 220 milhões de assinantes. Em 2023, o banco espera que Spotify tenha 53 milhões de assinantes na Ásia, Oriente Médio e África, comparados com apenas 11 milhões em 2018.  Mas esse entusiasmo inicial tem esfriado e dúvidas começam a surgir. Após subir nos primeiros três meses como uma empresa pública, as ações da Spotify foram enevoadas por um conjunto de ações de tecnologia, caindo abaixo do seu valor de abertura no NYSE. “Investidores ficaram incrivelmente nervosos”, disseram os analistas da Morgan Stanley em Outubro, citando a falta de novos mercados (Índia e Russia). Nos EUA, o maior mercado de música, Apple recentemente tirou a Spotify do trono ao se tornar o serviço de streaming pago mais popular. A Spotify atingiu um marco na aceleração desse quesito quanto a domínio global: India. O país se tornou uma moeda de troca na competição entre a empresa de tecnologia e a indústria de música. Após meses de conversa, as grandes gravadoras que controlam o negócio da música ainda não deram ao Spotify a luz verde para licenciar suas músicas no país, de acordo com pessoas familiarizadas com as negociações. “Agora eles são uma empresa pública e realmente precisam crescer”, diz um executivo sênior de uma grande gravadora. “É nossa grande oportunidade de alavancagem”. Quando consultado sobre o que fizeram para conquistar a América Latina, os executivos do Spotify encolheram os ombros: “Nós de fato não fizemos muita coisa”, disse Page. “Quando Spotify entrou no México há seis anos, era apenas uma startup inicial, com um departamento precário de RH”, ele disse. “Tínhamos uma mulher, sem escritório, voando pelo continente, literalmente. Nós estávamos improvisando”. Sendo economista de dia e DJ à noite, Page dá sua interpretação do que aconteceu. Primeiro, o licenciamento era fácil porque a América Latina ainda estava sob a ameaça da pirataria, o que significa que as gravadoras estavam dispostas a fazerem acordos. Nos EUA, a loja da iTunes tinha ajudado a combater a pirataria, mas no México a máfia da pirataria ainda estava prosperando. Executivos da música em lugares como Canadá e Japão hesitavam em confiar no Spotify, resultando em anos de negociações meticulosas para lançar nesses países.

Porém no México “nós literalmente aceitamos a grana”, diz um dos executivos mexicanos que esteve envolvido nas conversas sobre licenciamento à época. “Naquele ponto nós estávamos muito felizes conseguindo US 50.000 num contrato”, diz o executivo. “Então de repente uma empresa nos oferece US 2Milhões, e nós não tínhamos nenhuma experiência com Spotify até então, e aceitamos o dinheiro”.

Isso estabelecido, Spotify lançou no México em 2013, e no Brasil um ano depois. Estava disponível em toda América Latina antes de entrar no Canadá. A empresa encontrou bons ventos em sua navegação: metade da população da América Latina tem menos de 30 anos, o que é o público alvo exato do Spotify; a classe média estava crescendo, então havia mais gente capaz de pagar a tarifa; e o mercado latino é orientado a rádio, o que conduziu muito bem ao estilo do Spotify de inundar usuários com playlists e músicas sugeridas. Mas principalmente, executivos e analistas atribuem o sucesso ao boca a boca e aos patrocínios. “Eles estabeleceram a marca Spotify como uma marca premium a se desejarr”, diz Mark Mulligan, um analista da Midia Research. “Esse crescimento se deve muito a isso… fizeram algum marketing, mas não tão agressivo”. Spotify baixou os preços na região: a assinatura no México custa 99 pesos, cerca de US 5$/mês, metade da tarifa nos EUA.  Enquanto muitos jovens mexicanos relutavam a pagar US 15 a 20 por um CD, estavam dispostos a pagar essa taxa para ter acesso a 30 milhões de músicas. Os resultados foram tanto rápidos quanto dramáticos. “A cada trimestre ao receber os relatórios da Spotify, a base de assinantes crescia assustadoramente”, diz Kervin Dockendorf, que trabalhou para uma editora no México na mesma época. “Deezer já estava lá, Rdio também, mas Spotify destruiu todos”. Spotify tinha 64,1% do mercado mexicano de streaming em 2016, muito a frente da Google, com 12.3%, e da Apple com 8.1%, segundo a Competitive Intelligence Unit.

Mia Nygren mudou-se em 2014 da matriz do Spotify em Estocolmo para São Paulo. “Me pareceu que tudo aqui era um tipo de preparação para as coisas funcionarem”, diz a sueca. “As pessoas conheciam. Foi uma mensagem fácil”. Enquanto os CDs eram restritos por geografia – tinham que ser prensados e distribuídos nas lojas físicas e virtuais – qualquer um com um plano de dados pode participar na indústria de música mundial. Só de absorver o grupo inicial de pessoas em países populosos como Brasil e México, com boa renda, com cartão de crédito e que já tinha ouvido falar do Spotify, foi suficiente para gerar uma base de usuários comparável com a de países pequenos da Europa. A Cidade do México cresceu a ponto de ser a maior base de ouvintes do Spotify, a frente de Nova York e Londres. Para algumas grandes estrelas do Ocidente como Adele e Radiohead, a Cidade do Mexico é seu mercado número 1 no Spotify.

O departamento de marketing da Spotify categoriza pessoas em categorias com nomes de jargões da indústria, como “usuários top”, “primeiros a adotarem”, “atrasados”, “oportunistas”. Para países como México, eles conquistaram dezenas de milhões de “primeiros a adotarem”, sem gastarem muito dinheiro para isso. Somente 90 funcionários Spotify entre 3.500 trabalham na divisão da América Latina, embora a região responda por um quinto de sua base de clientes. Spotify está considerando  aportar mais peso e dinheiro nessa empreitada. Numa recente apresentação interna sobre a América Latina, uma seção foi dedicada à questão: construímos um castelo, precisamos de um fosso? “Netflix e Spotify encaram um desafio de globalização similar, mas é muito mais barato e rápido criar uma playlist do que roteiros de séries dramáticas”, diz Mulligan.  “Você pode programar playlists para o Brasil facilmente, com um time de especialistas que entendam de  Brasil, em qualquer lugar do mundo”.

A pergunta de US 20 bilhões – atual valor de mercado da Spotify – é se isto pode ser reproduzido no “Resto do Mundo”. Spotify argumenta que sim. Países como África do Sul, indonésia e Coreia do Sul também tem consumidores jovens espertos ansiosos pelo Spotify. As marés da mídia e da cultura pop são lentas mas claramente vão na direção do Leste. Em novembro, o canal mais popular do Youtube foi o selo indiano T-Series.  Netflix lançou uma série “noir” de televisão em Mombai e o CEO Reed Hasting  diz que os próximos 100 milhões de assinantes virão da Índia. A Universal Music, a maior gravadora do mundo, lar de Taylor Swift e Drake, fez um forte movimento em Novembro na direção da África. Há desafios locais que tornaram a Índia um mercado difícil para as companhias do leste, de Amazon a Walmart. Na Índia, Spotify competiria com Apple, Amazon e Youtube. Além de empresas locais como Hungama, Gaana e Saavn. Nenhum desses serviços teve sucesso em convencer as pessoas a pagarem uma taxa para ouvir música na Índia. Embora 216 milhões de pessoas estivessem usando serviços de streaming no país ao final de 2017, somente 1milhão pagava por eles, de acordo com Midia.

Por outro lado, Spotify dispõe de uma infraestrutura questionável ,  enfrenta pirataria desenfreada e rivais poderosos como Anghami no Oriente Médio. Há previsões de surgimento de estratégias de negociação na Índia. As negociações de licenciamento do Spotify chegaram a um impasse pelo fato das grandes gravadoras voltaram atrás quanto ao pedido da Spotify para oferecer uso gratuito por alguns meses no país, de acordo com pessoas envolvidas nas conversas. Na China, Spotify ano passado trocou participações acionárias com a Tencent Music para ganhar uma posição no mercado de rápido crescimento.  Os riscos para   Spotify são altos. Se Ek acertar, o serviço poderá ganhar centenas de milhões de novos clientes. Se falhar, seu oponente com base em Cupertino já está presente em mais de cem países e estará atento para aumentar a influência do iPhone. Aparentemente a Apple percebeu o boom da música latina – em Outubro lançou uma playlist latina, !Dale Play!, no seu serviço de streaming. Spotify continuará mapeando a cultura da música enquanto tenta ganhar assinantes. A influência cultural dá ao Spotify a capacidade de criar estrelas por si só. Alguns anos atrás, Danny Ocean teria uma chance em um milhão. Inigo Zabala, CEO da Warner Music América Latina que o contratou, esbarrou nele antes de ser popular enquanto navegava pelo Spotify. Ele abriu o Youtube em seu computador no escritório de Miami para confirmar um veredito de “Me Rehúso” e viu mais de 1.2 Bilhões de views. “A música latina sempre esteve por aí, mas agora o mundo do streaming tornou-a global”, diz Zabala. “A cada dois anos, tínhamos um hit latino.  Do Buena Vista Social Club ao Gypsy Kings, de  Macarena a Ricky Martin.  Mas eles eram completamente randômicos”, ele diz. “ Agora, estamos pensando em hits globais e eles não são randômicos. Eles fazem parte do plano”.

CEO Alison Wenham se desliga da WIN

Londres, 13 de Dezembro de 2018 – Após doze anos no comando da Worldwide Independent Network (WIN), o forum global para indústria da música independente profissional, Alison Wenham se desliga como CEO da organização.

Antes de se juntar à WIN em tempo integral, em 2016, Alison era CEO da AIM – Association of Independent Music , organização que ela iniciou em 1999, em resposta aos desafios de negócio e de acesso ao mercado, encarados pelo setor independente em nível global.

A WIN também foi fundada sob a liderança da Alison como uma rede global informal em 2006 em resposta às ameaças e oportunidades globais. Através da WIN e com a MERLIN, o valor dos direitos independentes ao redor do mundo tem sido firme e definitivamente estabelecido. O setor também se beneficiou da Declaração dos Acordos Digitais Justos em 2014, que se tornou o padrão de ouro para acordos justos com artistas.

Durante o tempo da Alison como CEO da WIN, a organização cumpriu um papel central de reunir inteligência para que seus membros tenham uma visão global das principais questões que afetam o setor independente,  e de assegurar que os desafios sejam antecipados e  confrontados antes de se tornarem um problema.

O relatório anual WINTEL, encomendado pela WIN, agora em seu terceiro ano, mapeia a participação do mercado global e se tornou a avaliação mais precisa da saúde e do crescimento contínuos do setor independente.

A WIN tem também feito a interlocução com sociedades de gestão coletiva ao redor do mundo e continua a pressionar para que o setor independente seja formalmente representado na governança destas sociedades arrecadadoras, ao mesmo tempo em que monitora sua eficiência e transparência.

A WIN continuará a confrontar e lutar contra os abusos em todo o mundo, buscando manter um nível comercial de boas práticas enquanto previne as grandes corporações de criar ambientes anti-competitivos.

Alison Wenham disse: “Foi um prazer e um privilégio dedicar duas décadas da minha vida e da minha carreira para ajudar a garantir estabilidade e crescimento contínuo para o setor da música independente. Desde que lancei a AIM em 1999, tenho estado ombro a ombro com amigos e colegas incríveis, e juntos estabelecemos,e em seguida entregamos uma nova era de respeito ao papel e à importância do setor independente. Mudamos atitudes em relação ao setor em nível global e garantimos o reconhecimento dos direitos da música independente, agora reconhecidos e valorizados. Estou imensamente orgulhosa de tudo que conquistamos nesse período e a música independente seguirá sendo minha paixão. Decidi, no entando, que o momento é agora, com a organização em boa saúde, para me desligar da minha posição na WIN. Quero agradecer a todos com quem trabalhei ao longo desses anos por seu incrível suporte.”

Martin Mills, atual Chairman da WIN Chairman, disse: “Alison tem sido uma força da natureza para todos nós, e um fator central no fato dos independentes poderem competir globalmente com companias muito maiores em tamanho. À medida que ela segue seu rumo, ela nos deixa fortes e prósperos, aspirando a temporadas frutíferas. Por essa razão somos eternamente gratos a ela.”


Para mais informações:
Andy Saunders | Velocity Communications
Tel: 0207 060 9111
Mob: 07939 133050

WINTEL 2018 anuncia a mais recente e abrangente análise de mercado independente global.

WIN            ABMI

WINTEL 2018 anuncia a mais recente e abrangente análise de mercado independente global.

Os independentes agora representam 39.9% do mercado de música gravada no mundo.

Receitas cresceram 10,9% em relação ao ano anterior, receita global de streaming cresceu 46% ano a ano.

Londres, 4 de dezembro de 2018 – WINTEL 2018 é o terceiro relatório produzido pela WIN (Worldwide Independent Network), mapeando o mercado global independente em relação à propriedade de fonogramas, e não em relação aos canais de distribuição.

Este novo relatório desenvolvido para analisar o impacto econômico e cultural do setor da música independente foi criado a pedido da WIN por Mark Mulligan da MIDiA Research e editado pela Music Ally (Reino Unido). Os resultados, colhidos em 33 países, representam a mais abrangente pesquisa global do setor de gravadoras independentes feita até hoje.

O estudo mostra que o mercado independente cresceu 39,9% em 2017.

As receitas globais também cresceram de US$6.2 bilhões em 2016 para US$6.9 bilhões em 2017, demonstrando um forte crescimento ano a ano de 10,9%. É importante ressaltar que o setor independente teve uma performance superior ao do mercado de música como um todo, que cresceu 10,2% no último ano.

O rápido crescimento dos chamados mercados emergentes – com a China apresentando um crescimento de 36% em faturamento, Ásia e Austrália assistindo a um pico de 5,4% em receita e a América Latina com um aumento de quase 50% na receita de streaming – tudo isso faz com que a indústria observe com muita expectativa os próximos movimentos.

Importante enfatizar que este relatório utiliza critérios baseados em detenção de direitos, e não em vendas feitas pelos canais de distribuição.

Esta é uma distinção crucial, pois tendo em vista que as companhias independentes usam as grandes gravadoras (ou empresas de propriedade das grandes gravadoras) para distribuir sua música, estas grandes gravadoras incluem o valor da receita derivada da distribuição dos direitos dos independentes na mensuração do seu próprio mercado.

A análise da WINTEL à luz da detenção dos direitos, portanto, promove uma visão mais exata do mercado.

Isto também é relevante porque o tamanho do mercado é usado pelas empresas líderes de música digital como Apple, Google e Spotify em negociações com o setor independente, eventualmente determinando o nível de remuneração pago por estas empresas aos detentores dos direitos musicais.

Ao final de 2017 os serviços de assinatura de streaming de música atingiram 176 milhões de assinantes globalmente, comparados a 64 milhões em 2016. Este crescimento incrementou a receita das companhias independentes em 46% em 2017, atingindo US$3.1 bi.

É extremamente provável que o streaming represente mais de 50% da receita das companhias de música independente num futuro próximo; as vendas físicas continuam a cair.

Uma razão provável para este crescimento contínuo é o fato de que os selos independentes se ajustaram para acomodar e tirar proveito do ambiente de streaming, com 47% dos participantes da pesquisa respondendo que isto melhorou significativamente seu fluxo de caixa, um número que se eleva a 73% para selos nos quais streaming já representa mais de 30% de sua receita.

Uma outra conclusão positiva e interessante da pesquisa é que 76% dos artistas que assinaram com selos independentes decidiram renovar seus contratos.  Isto é sem dúvida um reflexo da estabilidade encontrada nos selos que estão trabalhando com tais artistas.  As respostas demonstram que 42% das equipes nas companhias independentes permanecem por lá desde o início da empresa, um fato a destacar considerando que a média dos selos independentes tem 14.9 anos de existência.

Também é válido refletir sobre o que define “independente” em 2018 – o termo está certamente evoluindo na indústria da música, e além de selos, o termo agora inclui os chamados artistas “autoprodutores”, que estão lançando por conta própria sua música através dos distribuidores do mercado.

O WINTEL 2018 revela que a renda dos artistas que se “auto lançam” cresceu de US$94 milhões em 2016 para US$101 milhões em 2017. Como estes artistas constroem times ao seu redor para exercer funções típicas de selos, este setor da comunidade da música independente tende a crescer significativamente.

Alison Wenham, CEO da WIN afirma: “_Com 2018 chegando ao fim, estamos felizes em publicar a terceira edição do relatório anual WINTEL, que destaca o mercado global independente crescendo impressionantes 39.9% em 2017, um número que ultrapassa tanto as grandes gravadoras quando o setor de música como um todo. Há inúmeras informações interessantes a extrair desta pesquisa, mas uma coisa que realmente me chamou a atenção foi o fato de 76% dos artistas escolherem renovar seus contratos com seus selos, o que demonstra que os independentes estão estreitando fortes laços com os artistas que representam. Mais doze meses se passaram, turbulentos para nossa indústria em muitos aspectos, mas surgiram novas legislações poderosas para proteger nossos negócios, houve um crescimento fantástico em alguns territórios inesperados, e o suporte contínuo dos fãs de música que continuaram a desfrutar e a se conectar com a música incrível que vem da comunidade global independente.”

“Este terceiro relatório da WIN é uma demonstração de força do setor da música independente global. Uma indústria sem números é uma indústria desempoderada. Diante desta realidade e do crescimento consistente das plataformas digitais, uma de nossas prioridades para 2019 será um estudo ainda mais aprofundado da produção musical brasileira e do perfil do produtor independente local.”
(Carlos Mills, Presidente da ABMI – Associação Brasileira da Música Independente).

WINTEL 2018 para impressão e visualização online:

 WINTEL está disponível para impressão e online em www.winformusic.org.

Para mais informação:

Andy Saunders

Velocity Communications
Tel: + 44 (0) 7939 133050
andy@velocitypr.co.uk

 

Sobre WIN

Worldwide Independent Network (WIN) é a entidade que coordena Associações Internacionais de Música Independente, representando o mercado de música gravada ao redor do mundo. Lançada em 2006 em resposta ao negócio global e aos desafios enfrentados pelo setor independente, a WIN advoga coletivamente, instiga e facilita em favor de seus associados. www.winformusic.org

Reformas dos Direitos Autorais na União Europeia preservarão o ecossistema criativo

Helen Smith Executive Chair, Impala — The Independent Music Companies Association, Brussels, Belgium

Criadores e cidadãos desfrutam de uma relação única online. Como companias de música independente, vemos criadores, usuários e plataformas como partes essenciais de um incrível ecossistema criativo.

Recentemente ouvimos da Susan Wojcicki, CEO do Youtube, que deveríamos nos amedrontar com as diretivas sobre direitos autorais propostas pela União Europeia (“A União Europeia deveria mudar seus planos irreais sobre direitos autorais”). Longe de ameaçar nosso ecossistema, no entanto, as diretivas vão clarear as coisas, de forma mais justa e sustentável para todos. Como o próprio Financial Times comentou no editorial de julho, a reforma é realmente necessária.

Primeiro, ela confirma o que as cortes europeias já disseram. Esclarece que a responsabilidade não pode recair apenas sobre o usuário e o dono do conteúdo, mas também sobre as plataformas que dão acesso ao trabalho. Essa é a parte clara. A diretiva também trata do abismo de valor – a diferença entre o valor econômico produzido por um trabalho artístico ou uma música, e o dinheiro que retorna a seu criador. As plataformas terão que praticar as mesmas regras. Não mais transações do tipo “pegar ou largar”. Mesmas regras para todos, isso em relação à justiça.

Estamos preocupados com que as novas diretivas tirem nossos empregos? Não. Pelo contrário, o aumento da remuneração para trabalhos criativos disponibilizados nas plataformas tornará mais fácil para os artistas e seus parceiros prosperarem. Tememos que as plataformas vão lidar apenas com empresas grandes? Não. As diretivas nivelam o campo de forma que todos possamos negociar num ambiente de licenciamento normal. É assim que se cria um ecossistema sustentável para todos. Isso inclui os artistas que você ainda não escutou.

Para o Youtube e outras plataformas, há uma quantidade de salvaguardas nos muitos textos que estão sobre a mesa. Agora precisamos deixar que os tomadores de decisão cheguem a um acordo sobre a receita final para atingir o equilíbrio. Não se deve tratar de proteger o modelo de negócio de uma única plataforma. Os números recentes do Youtube estão desenhados para ofuscar, mas os resultados dos nossos associados mostram que para cada 1 EURO do Youtube, o Spotify paga 10 EUROS.

Esta diretiva levou anos sendo elaborada – os tomadores de decisão sabem quais são as respostas. Agora podemos agir rápido e nem precisamos destruir modelos. Não vamos nos distrair. Vamos tornar o mundo online mais claro, mais justo e mais sustentável para todos.

Helen Smith Executive Chair, Impala — The Independent Music Companies Association, Brussels, Belgium

Helen Smith Executive Chair, Impala — The Independent Music Companies Association, Brussels, Belgium
Helen Smith Executive Chair, Impala — The Independent Music Companies Association, Brussels, Belgium

Fonte: https://www.ft.com/content/27b4d7c4-e76a-11e8-8a85-04b8afea6ea3

Abertura de Capital do Spotify: o que devemos saber?

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publica documento com informações relevantes ao mercado.

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publicou um documento sobre o Direct Public Offering (DPO) que oferece a visão mais detalhada, até o momento, das negociações atuais e das projeções futuras do Spotify. Estamos separando os dados para obter informações mais pontuais e algumas surpresas.

– O Spotify encerrou 2017 com 159 milhões de usuários ativos mensais, incluindo 71 milhões de assinantes premium, um crescimento de 29% e 46% respectivamente ano-a-ano. Em média, cada usuário ativo usa o streaming por 25 horas de conteúdo (música e vídeo) por mês – pouco menos de 4 bilhões no total de horas mensais e 40,3 bilhões em 2017 no geral. “Historicamente, nossos assinantes premium usam o streaming três vezes mais que os usuários financiados por anunciantes”, observou o Spotify.

– As receitas do Spotify cresceram fortemente de 2.95 bilhões de euros (€ 2.95bn) em 2016 para 4.09 bilhões de euros (€ 4.09bn) em 2017. No entanto, as suas perdas líquidas aumentaram também: 539 milhões de euros em 2016 para 1,24 bilhões de euros em 2017. A perda operacional do Spotify cresceu ainda: 349 milhões de euros em 2016 para 378 milhões de euros em 2017. A empresa já pagou mais de 8 bilhões de euros aos titulares de direitos de música desde o seu lançamento. Suas assinaturas premium representaram pouco menos de 90% de suas receitas no ano passado.

– O Spotify alega que, em 2017, teve uma quota de mercado global de 42% com base nas receitas. Isso inclui uma participação de 41% nos EUA, 42% no Brasil e 59% no Reino Unido (seus três maiores países por usuários ativos mensais) e 95% em sua terra natal, na Suécia.

– Falando de divisões geográficas: a Europa representa 37% dos usuários ativos do Spotify – 58 milhões de ouvintes no final de 2017. A América do Norte representa 32% (cerca de 51 milhões); América Latina 21% (33 milhões); e o resto do mundo responde por 10% (16 milhões). No entando, todas essas regiões estão em crescimento: 26%, 23%, 37% e 51% respectivamente em 2017.

– Os novos acordos de licenciamento do Spotify já estão tendo impacto. Em 2017, seu “custo de receita premium” (ou seja, royalties para fluxos por assinantes) representou 78% de suas receitas de assinaturas, contra 84% em 2016. O custo de receita dos anúncios também caiu assim como a porcentagem das receitas publicitárias: de 112% (!) em 2016 a 90% em 2017.

– Uma nova métrica para ser debatido: ​​’Premium Churn’, que é a porcentagem de assinantes que cancelam sua assinatura. A tendência diminuiu nos últimos anos: de 7,5% no quarto trimestre de 2015, para 6% no quarto trimestre de 2016 e 5,1% no quarto trimestre de 2017.

– Outra métrica: ‘ARPU Premium’: o valor médio mensal arrecadado de cada assinante premium. Está caindo: de € 6,84 em 2015 para € 6,20 em 2016 e € 5,32 em 2017. O plano familiar do Spotify é parte disso – cada usuário registrado em um plano familiar conta como assinante único – como sua expansão em alguns mercados emergentes.

– As listas de reprodução organizada e geradas por algoritmos do Spotify agora geram cerca de 31% de toda a audição no serviço, pouco menos de 20% há dois anos. A empresa faz questão disso, é um mecanismo de construção de fãs para artistas, tendo como observação a faixa ‘The Other’, de Lauv, assinada pela AWAL no início de 2017, quando cerca de 70% do seu pico de stream diário, de 750k, vieram de listas de reproduções programadas.

– O Spotify ainda está tornando os cases da sua plataforma gratuita como um funil para suas assinaturas premium: Mais de 60% dos assinantes adicionados desde fevereiro de 2014 começaram pelo acesso gratuito. E há alguns números para as campanhas semanais ‘trial’ do Spotify, que oferecem uma amostra grátis (ou $ 0,99 por três meses) da assinatura premium. Esses trials representaram 27%, 23% e 20% dos assinantes premium adicionados em 2015, 2016 e 2017, respectivamente.

– Nos últimos três anos, o Spotify gastou 739 milhões de euros (€739m) em pesquisa e desenvolvimento, com um aumento de 91% em 2017. A empresa também gastou 1,15 bilhões de euros (€1.15bn) em vendas e marketing durante esse período. O arquivo também descreve o rápido aumento no departamento pessoal do Spotify, de uma média de 2.084 funcionários em tempo integral em 2016 para 2.960 em 2017 – um ano em que pagou 348 milhões de euros (€348m) em salários e benefícios.

– Os mercados emergentes podem ser a próxima grande dor de cabeça do Spotify – mas um para cada serviço de streaming? “Na Ásia e na América Latina, estamos vendo uma movimentação distante das licenças vindo das sociedades arrecadadoras, que está levando a um cenário fragmentado de licenciamento de direitos autorais”, observou os arquivos do Spotify, referindo-se a editores e compositores escolhendo não se representar por sociedades arrecadadoras.

– Spotify enxerga o potencial do Facebook ser, em última análise, um rival e não um parceiro. “Se os operadores conhecidos da mídia digital, como o Facebook, optarem por oferecer serviços concorrentes, eles podem dedicar recursos maiores do que temos disponíveis, ter um prazo mais acelerado para implantação e alavancar suas bases de usuários existentes e tecnologias próprias para fornecer serviços que nossos usuários e anunciantes podem ver como superiores”, alerta, reconhecendo, na seção de risco dos arquivos, que seria esperado lançar na sua rede ampla de maneira pessimista.

Outros jornalistas vêm analisando outros detalhes da abertura de capital, incluindo como a sua listagem direta funcionará; os mecanismos através dos quais os fundadores Ek e Martin Lorentzon manterão o controle; e o papel desempenhado no período anterior ao DPO por acionistas com dívida convertível do Spotify.

Com essas informações é possível até ter uma visão da avaliação da Tencent Music com base na troca de ações (stock swap) com o Spotify (US$ 12 bilhões, caso você queira saber). Os investidores vão ficar de olho nisso e muito mais até o Spotify finalmente abrir seu capital e aparecer listado como SPOT na Bolsa de Valores de Nova York, provavelmente no final deste mês.

Para mais informações sobre este artigo e ajuda com campanhas digitais, favor entrar em contato com anthony@musically.com

EUA decretam ‘fim’ da neutralidade de rede

EUA decretam ‘fim’ da neutralidade de rede e decidem que provedor pode controlar acesso à internet

Desde 2015 empresas americanas eram proibidas de dar preferência no tráfego para determinados serviços.

Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) decidiu nesta quinta-feira (14) deixar de classificar a internet banda larga como serviço de utilidade pública no país. Agora, as empresas de telecomunicações estão livres para controlar e até limitar os dados que circulam na internet. Com isso, o órgão liberou as companhias para contornar a neutralidade de rede, um dos princípios da internet que garante que conteúdos online sejam transmitidos com as mesmas condições.

Dentro de algumas semanas, a decisão da FCC deve entrar no Registro Federal. A norma passa a vigorar 60 dias após sua publicação.

As empresas que fornecem acesso à internet eram favoráveis à decisão. Já as companhias que usam a internet para entregar conteúdo eram contrárias, assim como ativistas do mundo digital e acadêmicos que criaram a rede mundial dos computadores.

Na prática, a neutralidade de rede garante, por exemplo, que mensagens enviadas pelo WhatsApp tenham prioridade equivalente aos dados enviados pelo Netflix durante a exibição de um filme. Ou seja, nenhum pacote, seja lá de que serviço for, pode furar a fila.

Fim da neutralidade de rede

A votação foi encerrada em 3 votos a 2, com placar favorável ao fim da neutralidade. Durante todo o dia, o assunto foi um dos mais comentados nas redes sociais e no noticiário dos EUA. As manifestações dos internautas, no entanto, davam nota de como o assunto é complexo. Tanto que a hashtag que foi parar nos temas mais discutidos do Twitter foi #NetNeutality –o termo correto, em inglês, é Net Neutrality com “R”. Alguns poucos manifestantes ainda saíram às ruas da capital norte-americana Washington para protestar.

O debate, em que os conselheiros expuseram suas razões, foi quente. Pouco antes do fim, a sala de reunião chegou a ser evacuada devido a um alerta de segurança.

Uma das conselheiras que se votou contra a proposta, Jessica Rosenworcel disparou:

“Eles terão o direito de discriminar e favorecer o tráfego de internet daquelas companhias com as quais fecharam acordo de pagamento e direcionar todos os outros para uma rota lenta e atribulada.”

Ela continuou: “Nossos provedores de banda larga dirão a você que nunca farão esse tipo de coisa, mas eles têm a habilidade técnica e o incentivo financeiro para discriminar e manipular nosso tráfego de internet. E agora essa agência dá a eles a luz verde para ir em frente. Isso não é bom para consumidores, negócios nem para qualquer um que se conecta e cria online. Nem para as forças democráticas que depende de abertura para operar”.

A votação foi encerrada com o voto de Ajit Pai, presidente da FCC. Favorável ao fim da neutralidade, ele argumentou que a mudança vai permitir maior liberdade às empresas.

“O investimento em redes de alta velocidade diminuiu em bilhões de dólares. Notavelmente, essa foi a primeira vez que esse tipo de investimento recuou na era da internet e fora de uma época de recessão”, afirmou. ”Isso significa que menos redes da próxima geração são construídas, menos acesso e menos competição, menos empregos para americanos que constroem redes e que mais americanos estão encalhados do lado errado do fosso digital.”

Para ele, permitir que as operadoras de internet criem novas formas de negócio permite que elas ampliem os investimentos em infraestrutura necessários para suportar a grande quantidade de dados criada pelos usuários.

“O tráfego online está explodindo e podemos assumir que vai haver exponencialmente muito mais dado. E nós estamos impondo ainda mais demanda sobre a rede, com o surgimento da Internet das Coisas, o desenvolvimento de aplicações que produzem altas taxas de dados como Realidade Virtual e atividades que ainda não conseguimos compreender inteiramente, como mineração de bitcoin”, pontuou Pai.

O que muda?

A FCC decidiu que a banda larga fixa voltará a ser classificada como “serviço de informação” e a internet móvel, como “serviço de interconexão”. Enquadradas dessa forma, as duas modalidades de conexão saem do âmbito da FCC e passam a poder ser comercializadas de acordo com o interesse do mercado.

Segundo a comissão, infrações à neutralidade de rede serão coibidas com as normas já existentes nas leis antitruste e de proteção ao direito do consumidor.

O que a FCC fará é aumentar a exigência por transparência. As operadoras serão obrigadas a informar:

. como gerenciam a rede;

. a performance da rede;

. termos comerciais do serviço.

“Isso ajuda os consumidores a escolher o que funciona melhor para eles e permite que empreendedores e outros pequenos negócios obtenham informações necessárias para inovar”, informa a FCC. “Consumidores individuais, não o governo, decidem qual é o acesso à internet corresponde da melhor forma a suas necessidades individuais.”

A FCC ainda eliminará as regras de conduta que provedores de internet têm de seguir. Dá três argumentos para isso:

Jurídico: não há “autoridade legal” para cobrar dessas empresas as mesmas exigências de empresas de telecomunicação;

Custo-benefício: “O custo dessas regras à inovação e ao investimento são muito mais pesados do que qualquer benefício que podem trazer”, diz a FCC.

Outras leis: os clientes terão outros meios para se proteger, já que a transparência dos serviços vai aumentar e “comportamentos inconsistentes com uma internet aberta” poderão ser punidos como práticas anticompetitivas e atentados ao direito do consumidor.

A revogação da garantia à neutralidade de rede é o mais alto ponto da série de flexibilizações regulatórias que a FCC vem fazendo durante a gestão de Donald Trump na Casa Branca.

A comissão já afrouxou regras que impediam a concentração de rádios e estações de TVs, além de propor limitar um programa que subsidia o acesso à internet banda larga para população de baixa renda e tenta acabar com a obrigação de empresas responderem em até 180 dias a respeito de limitações na infraestrutura de rede.

Leia matéria completa em https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/eua-decretam-fim-da-neutralidade-de-rede-e-decidem-que-provedor-pode-controlar-acesso-a-internet.ghtml?utm_source=push&utm_medium=app&utm_campaign=pushg1

Playlists no YouTube viram negócio lucrativo com venda de lugares nas listas de hits

Seleções de vídeos atingem centenas de milhões de views e são cobiçadas por artistas para divulgar clipes e ganhar direitos autorais do Google.

Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/playlists-no-youtube-viram-negocio-lucrativo-com-venda-de-lugares-nas-listas-de-hits.ghtml

O que começou como uma seleção de músicas para uma festa particular, ou outro motivo despretensioso, acabou virando um negócio lucrativo, um novo filão da indústria musical. Com bilhões de acessos, as playlists do YouTube (listas de clipes feitas pelos próprios usuários do site) são um formato cada vez mais popular – entre o público e entre os artistas, que estão de olho nessa fonte de audiência. Músicos sertanejos brasileiros têm pagado para incluir seus vídeos. Querem garantir que suas músicas cheguem a mais ouvintes.

O G1 falou com donos de playlists populares no YouTube no Brasil que vendem posições nas listas. Eles dizem que as criaram como usuários comuns, sem saber que, anos depois, elas renderiam dinheiro. Empresários e artistas explicaram como a compra de lugares nas maiores listas, que chegam a centenas de milhares de views, ajuda nas carreiras.

Eles também contam como uma empresa da Romênia que tem dezenas de canais com centenas de playlists em todo o mundo investiu no Brasil. Ela tem listas de diversos estilos e comprou de um usuário brasileiro a playlist de música sertaneja mais acessada no Brasil. O estilo musical é tema das listas mais populares hoje no país.

O Google, dono do YouTube, não tem regras específicas sobre vendas de playlists. Não há leis ou regras no Brasil sobre o assunto. Especialistas defendem que o Google deve explicitar o que é permitido ou não, por questão de transparência, mas admitem a dificuldade de identificar e controlar este comércio paralelo.

Se a prática de pagar para tocar no rádio é chamada no Brasil de jabá, a sua chegada ao YouTube pode ser chamada de “jabá 2.0”. Entenda tudo em uma lista de 10 perguntas.

1 – Como funciona uma playlist de YouTube?

Qualquer usuário pode criar uma playlist. É só dar um título e incluir vídeos do site. O YouTube gera um endereço para tocar os vídeos na sequência escolhida.

O criador de uma playlist não adiciona novos vídeos ao YouTube – só seleciona clipes existentes, dos quais não precisa ser dono. O criador da lista não ganha nada do YouTube pelos acessos. Pagamentos por anúncios nos clipes e por direitos autorais vão para os donos de cada vídeo.

2 – Quem são os criadores de playlists sertanejas que falaram com o G1?

José Gabriel de Azevedo, de 20 anos, de São José do Rio Preto (SP), tinha um objetivo modesto:

“Em 2014, ia dar uma festa, queria ter algumas músicas para tocar. Depois de um ano, um rapaz me ligou pedindo para colocar a música dele lá. Aí pensei: ‘mas por quê?'”.

Ele foi conferir e viu que sua playlist com hits sertanejos na época, em 2015, já tinha 40 milhões de acessos. Se um clipe entrasse lá, ganharia rapidamente milhares de espectadores. Hoje, a lista soma 140 milhões de visualizações.

Thiago Luiz, de 27 anos, de Toledo (PR), é dono de uma playlist que hoje tem 17 milhões de visualizações. O objetivo inicial era o mesmo. “Fiz por brincadeira, há três anos, para tocar numa festa. As pessoas gostaram e começaram a acessar”, conta.

Adriano da Silva Lucas, de 29 anos, de Cuiabá, queria só fazer mais um post para seu site com listas de temas variados, chamado Top10+. Uma das páginas do site mostrava músicas sertanejas mais tocadas do momento, com uma lista do YouTube incorporada.

“Aí as pessoas começaram a acessar pelo YouTube mesmo. Nem entravam no meu site”, conta Adriano. Até hoje, é a mais mais popular do Brasil para o termo de busca “sertanejo”, com 1,3 bilhão de views. Mas ele vendeu seu canal em 2016 para a empresa romena RedMusic por R$ 30 mil.

“Hoje em dia playlist é como se fosse uma rádio”, diz João Gabriel. “A rádio é muito cara para você rodar o Brasil inteiro. A playlist roda o Brasil por um preço mais acessível.”

3 – Por que as playlists deles são tão acessadas?

Os números acima são exceções em um mar de listas pouco clicadas. É que elas entraram num grupo seleto: dos primeiros lugares dos resultados da busca do YouTube.

O caminho até o topo dos resultados no YouTube passa por três letras: SEO (otimização para ferramentas de busca, ou search engine optimization, na sigla em inglês).

As listas entram lá em cima nos resultados não só porque têm muitos acessos acumulados, mas também porque têm os vídeos, títulos e descrições que a ferramenta automática do Google considera mais relevantes para os usuários.

O Google não divulga número total de buscas. Mas ele tem uma ferramenta (Google Trends) que compara palavras procuradas dentro do YouTube. O termo “sertanejo” é muito mais buscado que o de qualquer estrela do gênero hoje.

Gráfico do Google mostra que a busca pelo termo “sertanejo” no YouTube no último ano é 24 vezes maior do que “wesley safadão” e 16 vezes maior do que “marília mendonça”. Os números totais não são divulgados; apenas a proporção (Foto: Google Trends) Gráfico do Google mostra que a busca pelo termo “sertanejo” no YouTube no último ano é 24 vezes maior do que “wesley safadão” e 16 vezes maior do que “marília mendonça”. Os números totais não são divulgados; apenas a proporção (Foto: Google Trends)

Gráfico do Google mostra que a busca pelo termo “sertanejo” no YouTube no último ano é 24 vezes maior do que “wesley safadão” e 16 vezes maior do que “marília mendonça”. Os números totais não são divulgados; apenas a proporção (Foto: Google Trends)

Pessoas que entram no site buscando termos gerais como “sertanejo”, “sertanejo universitário” ou “sertanejo para churrasco” formam a enorme audiência das playlists do gênero.

“O título e a descrição têm as palavras que vão ser mais buscadas no momento. Baseado no que as pessoas estão ouvindo”, diz Thiago. Os textos podem ser mudados a qualquer momento. Na “guerra do SEO” pelo topo das buscas, vários já têm “2018” no nome.

“É uma tentativa de entrar em janeiro já com relevância garantida”, explica João Gabriel, que usou a tática de adiantar o “2018”. “Dá impressão que já vai ter as novidades. Para atrair público mesmo”, diz ele. Outros já investem a mais longo prazo, com títulos como “Músicas mais tocadas 2018/2019/2020”.

Tentativa e erro também fazem parte. “Tem outras playlists antigas que criei que ficaram em 200, 300 views, com palavras parecidas. É sorte também”, conta Thiago.

4 – Por que os artistas pagam para entrar?

Entrar em uma grande lista é uma forma de ganhar ouvintes reais – por isso os músicos as procuram. É diferente de fraudar a contagem de views de um clipe com o uso de “robôs” e acessos automatizados.

A história de Édico Antonio Corrêa, 31 anos, o Antony da dupla paranaense Antony e Gabriel, ajuda a entender como o mercado cresceu. Os três criadores de playlists o citam como um dos primeiros cantores a “investir” no formato.

“Eles estouraram com playlist”, diz Thiago. Antony não nega: “A gente era totalmente desconhecido, só tinha uma presença regional e a partir da playlist começou a ficar conhecido.”

O canal de YouTube na dupla tem hoje 380 milhões de acessos. Eles têm um sucesso nacional atual em parceria com Eduardo Costa, “Velhos vícios”. Desde janeiro de 2017, estão no casting de um grande escritório, Talismã, do cantor Leonardo, e fazem cerca de 15 shows por mês.

Uma experiência profissional de Antony fez a diferença: ele vendia roupas pela internet. Gostava de analisar acessos ao site e tentar entender os usuários. Levou isso para a música.

“Acompanhava todo dia o gráfico que mostrava como as pessoas chegavam aos meus vídeos. Vi que começaram a vir de playlist. Pensei em potencializar”, ele conta. Em 2015, entrou em contato com donos de playlists, que segundo ele, ainda não as viam como negócio.

“Eles ainda não sabiam o poder que tinham em mãos. Nem tinham orçamento. Coloquei numas seis, umas duas ou três nem cobraram. Quem cobrou foi pouco. Triplicamos nossos acessos”, ele lembra.

“Hoje está muito mais caro. Só vale a pena se tiver música boa em mãos. Tem muito artista investindo. Mas muita gente mesmo. Todo mundo do segmento conhece o poder da playlist e está investindo”, afirma Antony.

Ele diz que não negocia mais diretamente com os donos das playlists, mas passou o serviço para sua equipe de marketing. Antony afirma que “tirou o pé” de pagamentos a playlists nos últimos meses. “Hoje são no máximo R$ 3 mil por mês. Mas vale a pena”, diz.

Parte deste investimento pode voltar ao artista através do pagamento de direitos autorais e publicidade do Google nos vídeos.

5 – Como funciona a venda?

Os donos não vendem todos os lugares das listas – que costumam ter 100 ou mais faixas. A maior parte precisa ser de músicas populares, que chamem a atenção do ouvinte.

“Tem que equilibrar com relevância, para não cair no ranking de busca”, explica João Gabriel. Adriano completa: “Eu nunca ocupava os três primeiros lugares [com músicas pagas]”.

Eles dizem que, geralmente, artistas menos conhecidos no meio de outros muito famosos são os que pagaram para entrar. Mas que há nomes grandes que pagam. Nesses casos, a posição mais cara é o primeiro clipe da lista.

“[No primeiro lugar] tem que ser um artista bom, para ter aceitação. Eu já coloquei música ruim no topo e a playlist caiu muito de audiência e na busca”, conta João Gabriel. Ele diz que chega a ganhar R$ 7 mil em um mês com ela, mas a renda varia.

“Já cobrei até R$ 3 mil por mês por um clipe no primeiro lugar. Tem gente que cobra muito mais”, afirma.

Um empresário de artistas sertanejos que pediu para não ser identificado disse ao G1 que já pagou R$ 17 mil por mês para colocar um clipe em posição de destaque numa grande playlist.

“Eu cobro, pela primeira posição, R$ 1 mil. É porque não cobro muito”, conta Thiago. Sua maior playlist tem 17 milhões de acessos. “No total, ganho uns R$ 3, 4 mil por mês. Tem mês que dá mais, mas não passa disso”, diz.

João Gabriel inclui também na lista vídeos de sua próprio dupla, com o cantor João Félix, ainda em início de carreira.

Há playlists de outros estilos brasileiros além do sertanejo, mas sem tantos acessos. O G1 não encontrou casos de listas de outros gêneros com vendas de lugares a artistas.

6 – Quando se formou esse mercado?

Entre 2015 e 2016, os donos de playlists, ao serem procurados por sertanejos (como Antony), perceberam o potencial, e o mercado começou a se formar. “Eu cobrava R$ 600. Era início, eu não sabia de nada. Estava começando a monetizar. Não sabia bem nem que preço dar”, diz Adriano.

Eles também receberam outro tipo de proposta: vender o canal do YouTube inteiro deles, com as playlists incluídas. João Gabriel diz que recebeu uma proposta de 5 mil euros (R$ 20 mil, na época) de um DJ europeu, mas recusou.

Já Adriano se rendeu. Após dois meses de insistência de uma mulher da Romênia, ele vendeu seu canal de playlists, no início de 2016, por R$ 30 mil.

“Dois dias depois já me arrependi. Vi que o ‘trem’ estava estourado mesmo, crescendo muito”, ele diz.

Hoje, a playlist criada por ele faz parte de uma rede de canais chamada RedMusic. Ele tentou criar outras playlists, mas a audiência não chega “nem perto” da anterior, afirma.

7 – Quem é a RedMusic?

Diferentemente dos brasileiros que criaram as listas sem ter noção do potencial financeiro, a RedMusic é uma operação muito mais profissional. É uma rede com dezenas de canais, cada um com até centenas de playlists de vários estilos e nacionalidades.

No Brasil, as dez listas no primeiro lugar da busca por “sertanejo” somam 2,64 bilhões de acessos. Cinco delas são de canais da RedMusic. O 1º lugar, de longe, é a playlist de 1,3 bilhão de visualizações comprada de Adriano.

Nos textos de descrição dos canais, há pouca informação sobre a RedMusic. Há apenas um e-mail de contato – o G1 enviou várias perguntas, inclusive sobre a venda de playlists de sertanejo, perguntando ainda se o comércio também existe em outros estilos, mas não teve retorno.

Vários artistas novos entraram em listas da RedMusic através da Set7, empresa de marketing digital de Londrina (PR). O dono é Gleidison Sampaio, de 31 anos. Ele já trabalhou com Antony, conheceu com ele o mercado das playlists, e passou a fazer negócios com a RedMusic.

“É uma empresa que virou uma corporação. É da Romênia. Inclusive eu talvez vá para lá em dezembro para me reunir com eles. Eles investem em playlist. O meu [contato com eles] é mais parceria do que negócio. Vou para lá por questão de treinamento, conhecer mais sobre eles. Dar uma cara [à relação, que] hoje é mais conversa via Whatsapp, Facebook.”

Gleidison não quis passar valores exatos de preços e disse que eles variam de acordo com o tamanho do artista, a quantidade de acessos que a música já tem, a posição e o tempo na lista.

Uma das playlists da RedMusic, com 1,4 bilhão de acessos, mistura hits globais de Ed Sheeran e Taylor Swift a nomes bem menos conhecidos, como o da cantora Maria Lynn. Há canais e listas da RedMusic com milhões de acessos voltadas à música e à audiência latina, britânica, polonesa, turca, russa, checa…

8 – Que grandes artistas foram citados pelos donos de playlists?

Michel Teló teve clipes pagos na playlist de Adriano e na playlist de João Gabriel, eles dizem. Adriano afirma que o vídeo que ele cobrou para incluir foi “Tá quente”, lançado no final de 2015.

“Humberto e Ronaldo já investiram. Da Audiomix [escritório], Jorge e Mateus já investiram. Jefferson Moraes, que está estourado, tem uma música na playlist, pagando”, diz Thiago.

João Gabriel diz que costuma vender “pacotes” para os escritórios: “George Henrique e Rodrigo e Bruno e Marrone são do mesmo escritório [Worldshow]. Então eles sempre fecham comigo duas, três, quatro posições”.

“Também já veio Jads e Jadson, Michel Teló, Marcos e Belutti, uma porrada de artistas”, completa.

Tanto Thiago quanto João Gabriel também citam como compradores a FS, empresa da dupla Fernando e Sorocaba.

9 – O que dizem os artistas e escritórios citados?

Representantes dos escritórios Worldshow e FS e da dupla Humberto e Ronaldo negaram ao G1 que já tenham pago para seus artistas entrarem em playlists.

O G1 entrou em contato com os outros artistas e escritórios citados no item acima, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

10 – Quais são as regras e qual é o papel do Google?

O G1 perguntou ao Google qual é a posição da empresa sobre a venda de lugares em playlists, mas não teve resposta. Não há, nos termos de uso do YouTube, nenhum item que cite esta prática.

Como o assunto é novo, não há leis ou normas brasileiras que tratam desta prática. “Não tem nenhuma norma. Não conheço em outros países também regras semelhantes”, diz Luiz Fernando Marrey Moncau, pesquisador do Stanford Center for Internet and Society, nos Estados Unidos.

“Está no Código de Defesa do Consumidor no Brasil que toda propaganda deve ser identificada. Mas neste caso é difícil dizer o que é propaganda, se há relação de consumo, se a relação é com o dono da playlist ou com o YouTube, e comprovar que houve essa transação. Não é situação perfeita para aplicar o código, e não acredito que isso vá acontecer”, afirma.

O mais provável seria que a regulação viesse do próprio Google. “Como aconteceu com o Spotify [empresa de streaming que proibiu explicitamente a venda de lugares em playlists após uma reportagem na revista ‘Billboard’ relatar a prática], essa é uma questão que precisa ser abordada pelo YouTube. A transparência é fundamental”, diz Pedro Mizukami, pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

O Google vende publicidade em vídeos e links patrocinados dentro do YouTube. Mas o site indica quando são anúncios. Não é o caso das playlists de usuários que incluem vídeos sem deixar claro que foram pagos.

“Há um dever de transparência que afeta não só os consumidores como os criadores. Porque há criadores que estão em concorrência (com artistas que pagam playlists) e não estão pagando. Ou outros que se veem obrigados a pagar e tratar com estes intermediários de origem duvidosa”, afirma Pedro.

“É natural que o YouTube dê uma resposta sobre isso em algum momento, seja no sentido de legitimar internamente o patrocínio em playlists, ou de tornar claro se a plataforma chancela essa prática ou não.”

Abertura de Capital do Spotify: o que devemos saber?

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publica documento com informações relevantes ao mercado.

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publicou um documento sobre o Direct Public Offering (DPO) que oferece a visão mais detalhada, até o momento, das negociações atuais e das projeções futuras do Spotify. Estamos separando os dados para obter informações mais pontuais e algumas surpresas.

– O Spotify encerrou 2017 com 159 milhões de usuários ativos mensais, incluindo 71 milhões de assinantes premium, um crescimento de 29% e 46% respectivamente ano-a-ano. Em média, cada usuário ativo usa o streaming por 25 horas de conteúdo (música e vídeo) por mês – pouco menos de 4 bilhões no total de horas mensais e 40,3 bilhões em 2017 no geral. “Historicamente, nossos assinantes premium usam o streaming três vezes mais que os usuários financiados por anunciantes”, observou o Spotify.

– As receitas do Spotify cresceram fortemente de 2.95 bilhões de euros (€ 2.95bn) em 2016 para 4.09 bilhões de euros (€ 4.09bn) em 2017. No entanto, as suas perdas líquidas aumentaram também: 539 milhões de euros em 2016 para 1,24 bilhões de euros em 2017. A perda operacional do Spotify cresceu ainda: 349 milhões de euros em 2016 para 378 milhões de euros em 2017. A empresa já pagou mais de 8 bilhões de euros aos titulares de direitos de música desde o seu lançamento. Suas assinaturas premium representaram pouco menos de 90% de suas receitas no ano passado.

– O Spotify alega que, em 2017, teve uma quota de mercado global de 42% com base nas receitas. Isso inclui uma participação de 41% nos EUA, 42% no Brasil e 59% no Reino Unido (seus três maiores países por usuários ativos mensais) e 95% em sua terra natal, na Suécia.

– Falando de divisões geográficas: a Europa representa 37% dos usuários ativos do Spotify – 58 milhões de ouvintes no final de 2017. A América do Norte representa 32% (cerca de 51 milhões); América Latina 21% (33 milhões); e o resto do mundo responde por 10% (16 milhões). No entando, todas essas regiões estão em crescimento: 26%, 23%, 37% e 51% respectivamente em 2017.

– Os novos acordos de licenciamento do Spotify já estão tendo impacto. Em 2017, seu “custo de receita premium” (ou seja, royalties para fluxos por assinantes) representou 78% de suas receitas de assinaturas, contra 84% em 2016. O custo de receita dos anúncios também caiu assim como a porcentagem das receitas publicitárias: de 112% (!) em 2016 a 90% em 2017.

– Uma nova métrica para ser debatido: ​​’Premium Churn’, que é a porcentagem de assinantes que cancelam sua assinatura. A tendência diminuiu nos últimos anos: de 7,5% no quarto trimestre de 2015, para 6% no quarto trimestre de 2016 e 5,1% no quarto trimestre de 2017.

– Outra métrica: ‘ARPU Premium’: o valor médio mensal arrecadado de cada assinante premium. Está caindo: de € 6,84 em 2015 para € 6,20 em 2016 e € 5,32 em 2017. O plano familiar do Spotify é parte disso – cada usuário registrado em um plano familiar conta como assinante único – como sua expansão em alguns mercados emergentes.

– As listas de reprodução organizada e geradas por algoritmos do Spotify agora geram cerca de 31% de toda a audição no serviço, pouco menos de 20% há dois anos. A empresa faz questão disso, é um mecanismo de construção de fãs para artistas, tendo como observação a faixa ‘The Other’, de Lauv, assinada pela AWAL no início de 2017, quando cerca de 70% do seu pico de stream diário, de 750k, vieram de listas de reproduções programadas.

– O Spotify ainda está tornando os cases da sua plataforma gratuita como um funil para suas assinaturas premium: Mais de 60% dos assinantes adicionados desde fevereiro de 2014 começaram pelo acesso gratuito. E há alguns números para as campanhas semanais ‘trial’ do Spotify, que oferecem uma amostra grátis (ou $ 0,99 por três meses) da assinatura premium. Esses trials representaram 27%, 23% e 20% dos assinantes premium adicionados em 2015, 2016 e 2017, respectivamente.

– Nos últimos três anos, o Spotify gastou 739 milhões de euros (€739m) em pesquisa e desenvolvimento, com um aumento de 91% em 2017. A empresa também gastou 1,15 bilhões de euros (€1.15bn) em vendas e marketing durante esse período. O arquivo também descreve o rápido aumento no departamento pessoal do Spotify, de uma média de 2.084 funcionários em tempo integral em 2016 para 2.960 em 2017 – um ano em que pagou 348 milhões de euros (€348m) em salários e benefícios.

– Os mercados emergentes podem ser a próxima grande dor de cabeça do Spotify – mas um para cada serviço de streaming? “Na Ásia e na América Latina, estamos vendo uma movimentação distante das licenças vindo das sociedades arrecadadoras, que está levando a um cenário fragmentado de licenciamento de direitos autorais”, observou os arquivos do Spotify, referindo-se a editores e compositores escolhendo não se representar por sociedades arrecadadoras.

– Spotify enxerga o potencial do Facebook ser, em última análise, um rival e não um parceiro. “Se os operadores conhecidos da mídia digital, como o Facebook, optarem por oferecer serviços concorrentes, eles podem dedicar recursos maiores do que temos disponíveis, ter um prazo mais acelerado para implantação e alavancar suas bases de usuários existentes e tecnologias próprias para fornecer serviços que nossos usuários e anunciantes podem ver como superiores”, alerta, reconhecendo, na seção de risco dos arquivos, que seria esperado lançar na sua rede ampla de maneira pessimista.

Outros jornalistas vêm analisando outros detalhes da abertura de capital, incluindo como a sua listagem direta funcionará; os mecanismos através dos quais os fundadores Ek e Martin Lorentzon manterão o controle; e o papel desempenhado no período anterior ao DPO por acionistas com dívida convertível do Spotify.

Com essas informações é possível até ter uma visão da avaliação da Tencent Music com base na troca de ações (stock swap) com o Spotify (US$ 12 bilhões, caso você queira saber). Os investidores vão ficar de olho nisso e muito mais até o Spotify finalmente abrir seu capital e aparecer listado como SPOT na Bolsa de Valores de Nova York, provavelmente no final deste mês.

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