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Abertura de Capital do Spotify: o que devemos saber?

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publica documento com informações relevantes ao mercado.

Com vistas à abertura de capital na bolsa de valores de Nova York, o Spotify publicou um documento sobre o Direct Public Offering (DPO) que oferece a visão mais detalhada, até o momento, das negociações atuais e das projeções futuras do Spotify. Estamos separando os dados para obter informações mais pontuais e algumas surpresas.

– O Spotify encerrou 2017 com 159 milhões de usuários ativos mensais, incluindo 71 milhões de assinantes premium, um crescimento de 29% e 46% respectivamente ano-a-ano. Em média, cada usuário ativo usa o streaming por 25 horas de conteúdo (música e vídeo) por mês – pouco menos de 4 bilhões no total de horas mensais e 40,3 bilhões em 2017 no geral. “Historicamente, nossos assinantes premium usam o streaming três vezes mais que os usuários financiados por anunciantes”, observou o Spotify.

– As receitas do Spotify cresceram fortemente de 2.95 bilhões de euros (€ 2.95bn) em 2016 para 4.09 bilhões de euros (€ 4.09bn) em 2017. No entanto, as suas perdas líquidas aumentaram também: 539 milhões de euros em 2016 para 1,24 bilhões de euros em 2017. A perda operacional do Spotify cresceu ainda: 349 milhões de euros em 2016 para 378 milhões de euros em 2017. A empresa já pagou mais de 8 bilhões de euros aos titulares de direitos de música desde o seu lançamento. Suas assinaturas premium representaram pouco menos de 90% de suas receitas no ano passado.

– O Spotify alega que, em 2017, teve uma quota de mercado global de 42% com base nas receitas. Isso inclui uma participação de 41% nos EUA, 42% no Brasil e 59% no Reino Unido (seus três maiores países por usuários ativos mensais) e 95% em sua terra natal, na Suécia.

– Falando de divisões geográficas: a Europa representa 37% dos usuários ativos do Spotify – 58 milhões de ouvintes no final de 2017. A América do Norte representa 32% (cerca de 51 milhões); América Latina 21% (33 milhões); e o resto do mundo responde por 10% (16 milhões). No entando, todas essas regiões estão em crescimento: 26%, 23%, 37% e 51% respectivamente em 2017.

– Os novos acordos de licenciamento do Spotify já estão tendo impacto. Em 2017, seu “custo de receita premium” (ou seja, royalties para fluxos por assinantes) representou 78% de suas receitas de assinaturas, contra 84% em 2016. O custo de receita dos anúncios também caiu assim como a porcentagem das receitas publicitárias: de 112% (!) em 2016 a 90% em 2017.

– Uma nova métrica para ser debatido: ​​’Premium Churn’, que é a porcentagem de assinantes que cancelam sua assinatura. A tendência diminuiu nos últimos anos: de 7,5% no quarto trimestre de 2015, para 6% no quarto trimestre de 2016 e 5,1% no quarto trimestre de 2017.

– Outra métrica: ‘ARPU Premium’: o valor médio mensal arrecadado de cada assinante premium. Está caindo: de € 6,84 em 2015 para € 6,20 em 2016 e € 5,32 em 2017. O plano familiar do Spotify é parte disso – cada usuário registrado em um plano familiar conta como assinante único – como sua expansão em alguns mercados emergentes.

– As listas de reprodução organizada e geradas por algoritmos do Spotify agora geram cerca de 31% de toda a audição no serviço, pouco menos de 20% há dois anos. A empresa faz questão disso, é um mecanismo de construção de fãs para artistas, tendo como observação a faixa ‘The Other’, de Lauv, assinada pela AWAL no início de 2017, quando cerca de 70% do seu pico de stream diário, de 750k, vieram de listas de reproduções programadas.

– O Spotify ainda está tornando os cases da sua plataforma gratuita como um funil para suas assinaturas premium: Mais de 60% dos assinantes adicionados desde fevereiro de 2014 começaram pelo acesso gratuito. E há alguns números para as campanhas semanais ‘trial’ do Spotify, que oferecem uma amostra grátis (ou $ 0,99 por três meses) da assinatura premium. Esses trials representaram 27%, 23% e 20% dos assinantes premium adicionados em 2015, 2016 e 2017, respectivamente.

– Nos últimos três anos, o Spotify gastou 739 milhões de euros (€739m) em pesquisa e desenvolvimento, com um aumento de 91% em 2017. A empresa também gastou 1,15 bilhões de euros (€1.15bn) em vendas e marketing durante esse período. O arquivo também descreve o rápido aumento no departamento pessoal do Spotify, de uma média de 2.084 funcionários em tempo integral em 2016 para 2.960 em 2017 – um ano em que pagou 348 milhões de euros (€348m) em salários e benefícios.

– Os mercados emergentes podem ser a próxima grande dor de cabeça do Spotify – mas um para cada serviço de streaming? “Na Ásia e na América Latina, estamos vendo uma movimentação distante das licenças vindo das sociedades arrecadadoras, que está levando a um cenário fragmentado de licenciamento de direitos autorais”, observou os arquivos do Spotify, referindo-se a editores e compositores escolhendo não se representar por sociedades arrecadadoras.

– Spotify enxerga o potencial do Facebook ser, em última análise, um rival e não um parceiro. “Se os operadores conhecidos da mídia digital, como o Facebook, optarem por oferecer serviços concorrentes, eles podem dedicar recursos maiores do que temos disponíveis, ter um prazo mais acelerado para implantação e alavancar suas bases de usuários existentes e tecnologias próprias para fornecer serviços que nossos usuários e anunciantes podem ver como superiores”, alerta, reconhecendo, na seção de risco dos arquivos, que seria esperado lançar na sua rede ampla de maneira pessimista.

Outros jornalistas vêm analisando outros detalhes da abertura de capital, incluindo como a sua listagem direta funcionará; os mecanismos através dos quais os fundadores Ek e Martin Lorentzon manterão o controle; e o papel desempenhado no período anterior ao DPO por acionistas com dívida convertível do Spotify.

Com essas informações é possível até ter uma visão da avaliação da Tencent Music com base na troca de ações (stock swap) com o Spotify (US$ 12 bilhões, caso você queira saber). Os investidores vão ficar de olho nisso e muito mais até o Spotify finalmente abrir seu capital e aparecer listado como SPOT na Bolsa de Valores de Nova York, provavelmente no final deste mês.

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